A virada da classe C

SÃO PAULO - Como a classe C se tornou uma grande consumidora de banda larga, celulares e outros gadgets no Brasil.
Para encarar pelo menos seis horas diárias dentro do metrô, do trem e do ônibus, o auxiliar administrativo Diego César Leite Rosa, de 20 anos, tem como aliado seu celular multifunção sem marca conhecida. Responsável pelo leva e traz de documentos de um escritório de contabilidade no centro de São Paulo, ele usa o aparelho para se distrair enquanto está no transporte público. “Gosto de ouvir pagode e acompanhar notícias sobre o Corinthians pela TV”, diz. Economizando parte do seu salário de 900 reais, Diego comprou o telefone por 400 reais e ainda presenteou a mãe com um televisor de LCD. Suas próximas metas são trocar o computador e contratar um serviço de banda larga. “Não vivo sem tecnologia”, diz.
As empresas estão atentas e não vacilam. A Positivo Informática, por exemplo, criou duas linhas de computadores para esse público, responsável por 40% das vendas da empresa. A primeira, PC da Família, vem com conteúdo para cada integrante do grupo familiar. A outra, Positivo Fácil, traz orientações de uso para quem está comprando seu primeiro PC. “Muitas vezes, quem decide a compra é a mãe, que se interessa por esse conteúdo extra”, diz César Aymoré, diretor de marketing da Positivo.
A diarista Geralda Tomaz de Freitas, 35 anos, faz faxina e passa roupa na casa de cinco famílias em São Paulo. O esforço lhe proporciona uma renda mensal de 1 200 reais. Ela sustenta sozinha dois filhos adolescentes. Apesar do orçamento reduzido, faz questão de assinar o serviço de banda larga Speedy, que custa 143 reais por mês. “É importante para meu filho, que leva jeito para a computação, e para evitar que minha filha fique na LAN house, o que eu acho perigoso”, diz.
A agência de publicidade F/Nazca fez uma pesquisa que revelou que 13% da classe C já têm banda larga. Segundo a Telefônica, quase a metade da base de clientes do Speedy, com mais de 2,5 milhões de usuários, pertence a esse grupo. O projeto Banda Larga Popular, do Governo de São Paulo, que isenta de ICMS o serviço, e o Plano Nacional de Banda Larga, que pretende utilizar redes ociosas de fibra óptica, podem contribuir para democratizar a internet, mas têm custado a decolar.
Enquanto isso, a população se vira como pode. Muita vezes, as pessoas compartilham o serviço de internet rápida com vizinhos e amigos, afirma Mari, da CO.R Inovação. O atendente dos Correios Rafael Oliveira, por exemplo, divide com três amigos o serviço Velox de 8 Mbps. Sai 30 reais mensais para cada um. “Se não fosse assim, eu não poderia pagar”, diz. Antes, Rafael precisava ir à LAN house para cuidar do seu portal de podcasts, o TeiaCast (http://teiacast.com.br). A família toda desfruta da web agora. O filho Nicholas, de 4 anos, acessa sites infantis. Já a esposa Luciana, 31 anos, prefere o orkut.
Extraído da Info Online - http://info.abril.com.br/noticias/ti/a-virada-da-classe-c-20012010-2.shl
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